sábado, 28 de outubro de 2017

Tarja preta

A tarja preta
Tarja as pretas
A curvas, as silhuetas
As tetas.
As bocas
negras.
A tarja preta
pesa mais que chá de trombetas
cerca mentes fechadas
onde o preconceito já tem varanda, casa e piscina instalada.
 A narja excreta
mas nada mais me afeta
pois contra o preconceito criei anticorpos
nenhuma tarja preta
irá censurar
vidas
negras.


domingo, 22 de outubro de 2017

por fotos eu vi
com os olhos desejei 
com meus dedos ligeiros escrevi:
me deixe te chupar inteira,
pele sobre tela
lambida nos seios
pele sobre ela 
com ele no meio.


Por ti faria 
toda 
patifaria 

Eu sempre quis

Eu sempre quis
A vontade, o ensejo, o desejo
Nisso me fiz
Em tudo fui despejo.

Despejei minhas meias verdades
Regurgitei o que me engolia
Esvaziei-me
Colhi mentiras inteiras
Apanhei ilusões verdadeiras
Esvaziei-me.

Eu sempre quis.

"Essa menina está cheia do querer", diziam
Eles mal sabiam
que eu sempre quis,
e que sou feita do querer.

Quis tanto, mas tanto... que fiz
Desprendi minha raiz
E fui ver o porquê de tanto querer
Me descobri aprendiz do viver,
Mergulhei naas extensões do meu ser
 
Eu sempre quis
E quero muito mais.

domingo, 10 de setembro de 2017

O machista de cada vida

Arruma o cabelo,
Arruma a postura.
Se olhe no espelho,
 assuma sua altura.

Vai passar batom nessa boca!
Senta direito, de perna cruzada
Troca essa roupa
Por que já tá emburrada?


Vagabunda
Piranha
Louca
Demente


Já lavou a louça?
Tem janta feita?
Já tomou banho?
Depilou a buceta?

Vai se depilar!
Com um macaco que eu não vou transar
E ainda acha que tem o direito de reclamar
Cala a boca que o macho aqui vai te ensinar
a ser mulher


Nojenta
Surtada
Dramática
Carente


Cala essa boca
Se me responder arranco esse teus dentes
Abaixa a cabeça, engole o choro
Porque a minha segurança é te deixar insegura.


Ciumenta
Mentirosa
Dramática
Louca


Hollywood Vermelho

Gosto amargo do cigarro
Quando trago
me trago às lembranças
Engulo o choro,
solto a fumaça
Sobra o bagunçado das mudanças.

quarta-feira, 8 de março de 2017

Engoli poesias à seco e caguei palavras duras.
O piloto do plano não quer a favela no avião.
A menos que seja pra privada de patrão.

Contra o eixo

A polícia não me representa
Os políticos não me representam
O ladrão, que as minhas custas se sustenta, também não me representa.

Há quem tente
Há quem tente privar minha mente da evolução
Há quem tente
Há quem tente mudar minha percepção

Difícil é segui nessa intensa escuridão
A incerteza é frequente.
No meio de agressões e arrastões, promessas e pistolas, celas e esmolas
Eu continuo.

Não vou partir em retirada
Porque a periferia me representa,
A arte me representa,
O olhar preocupado da minha mãe me representa.
E enquanto eu conseguir, eu vou seguir
E resistir.

PODER AO POVO!
É tanta aparência que ofusca a alma.
O desapego deságua pelos meus olhos
Suo tristeza pelos poros
Meu rosto perdido e louco,
Minha vontade insconstante e pouca
Enche meus olhos.
Des-amor.
Reciprocidade perdida pelo caminho
Esvaiu-se pelos ventos
Espíritos sedentos,
Noites mal dormidas...
 Podes não entender muito bem o que digo
Mas eu te digo: Eu fui perdida
Já não me sinto mais parte da sua vida.
Água
fonte da vida
preciosa finita.

Minha poesia pousa em todo lugar

Maria

Eu, mais uma maria, filha da nação
Servente de capacho pra limpar sapato de patrão
Mente pensante sem a devida valorização
É meus amigos... bem vindos à neoescravidão.
Me disseram que faço parte da grande massa
A preta, pobre e favelada.
Essa massacrada por fuzis de coturnos
Que interrompem o silêncio noturno ao som de balas
Comandadas por ternos e gravatas
Em nome do povo, em prol da massa.
A mesma massa que por eles é dizimada.

Eu, mais uma entre tantas marias
Ainda vida.
Superando estatísticas.
Levo sempre comigo o respeito, inteligência e sabedoria
E na favela, meus amigos, é Deus quem me guia.